POSSÍVEIS CAUSAS DA FIBROMIALGIA

DISFUNÇÃO NO METABOLISMO DO OXIGÊNIO

E ESTRESSE OXIDATIVO

 

 

DISFUNÇÂO NO METABOLISMO DO OXIGÊNIO

 

Embora a causa da fibromialgia não tenha um consenso na comunidade médica, a crença de que ela deriva de uma disfunção no metabolismo do oxigênio começa a ganhar força.

 

Segundo alguns especialistas, o oxigênio mal metabolizado é a base molecular dos principais sintomas da fibromialgia, pois causa fadiga, dor nos músculos, rigidez, perturbações da memória, dificuldade de concentração e sensação de frio.

 

O fornecimento insuficiente de oxigênio também interfere com a cicatrização dos tecidos. Células com “fome de oxigênio” produzem mais radicais livres que aumentam o estresse oxidativo e reduzem ainda mais o oxigênio disponível. Assim, o ciclo se retro-alimenta e causa um excesso de acidez que mais uma vez interfere no processo de cicatrização.

 

Em 1989, M. Yunus e K. Raman descreveram alterações na microcirculação acarretando hipóxia nas fibras musculares. Segundo A. Bengtsson e K. Henriksson as alterações metabólicas decorrentes da insuficiência de oxigenação nos músculos e tecido conjuntivo levariam a uma redução do teor energético do tecido muscular e resultaria em espasmo muscular e dor. Isto também explicaria a fadiga frente a esforços físicos na fibromialgia.

 

Segundo Majid Ali (1999) todos os sintomas da fibromialgia podem ser explicados por um único processo: Anóxia celular (ausência de oxigênio nas células). Para ele esta é a causa da fibromialgia e sua teoria baseia-se nos seguintes pontos:

A anóxia celular é o denominador comum entre todos os eventos moleculares que criam os complexos sintomas da fibromialgia e que envolvem todos os órgãos e sistemas do corpo.

 

A anóxia celular é provocada por uma desordem oxidativa.

 

Essa desordem pode ser causada por:

Danos ao intestino causados por alimentos ou por alergia a mofo.

Excesso crônico de açúcar

Abuso de antibióticos

Supercrescimento bacteriano

O esforço físico aumenta o oxigênio disponível no organismo. Para propiciar um bom metabolismo de oxigênio e melhorar o funcionamento do corpo, medidas como exercícios aeróbicos ou em imersão em água quente podem ser tomadas.

 

 

ESTRESSE OXIDATIVO

 

O estresse oxidativo ocorre quando há um excesso de elementos oxidantes com significativo aumento na produção de radicais livres, ocasionando danos celulares. Define-se como uma sobrecarga de espécies reativas de oxigênio que causam prejuízos à estrutura das biomoléculas de DNA, carboidratos, lipídios e proteínas, além de outros componentes celulares.

 

Estudos recentes sugerem que o balanço oxidante/antioxidante pode indicar que a fibromialgia é uma desordem oxidativa.

 

Em 2005, Selda Bagis da Mersin University Medical School relatou que o equilíbrio oxidante/antioxidante está alterado na fibromialgia e que o aumento dos níveis de radicais livres pode ser responsável pelo desenvolvimento da fibromialgia.

 

Em 2007, Martin L. Pall, professor de bioquímica da Universidade Estadual de Washington propôs que os altos níveis de oxidantes são a base para a fibromialgia, síndrome da fadiga crônica e síndrome da sensibilidade química múltipla. Segundo ele, o núcleo do problema é o óxido nítrico (NO), um composto bioquímico envolvido em vários níveis da nossa fisiologia. A teoria propõe que um dos produtos do óxido nítrico, o peroxinitrito (ONOO), um poderoso oxidante que causa um ciclo bioquímico vicioso, pode ser a causa dessas doenças.

 

Numerosos estudos têm examinado o papel do óxido nítrico na fibromialgia, com resultados interessantes:

S. Mense, em 1999, aponta que a sensibilização central associada à fibromialgia pode ser causada por uma estimulação dos receptores de dor nos músculos que provoca alterações na medula espinhal e no sistema nervoso central, e que essas mudanças são fortemente dependentes do óxido nítrico.

 

Em 2006, K. L. McIver descobriu que mulheres com fibromialgia apresentam uma redução do fluxo de nutrientes para os músculos após o exercício e que isso poderia estar relacionado com níveis elevados de iNOS, que estimula o aumento dos níveis de óxido nítrico.

Em 2008, O. Sendur e seus colegas mostraram no International Journal Rheumatology que os níveis séricos de glutationa e catalase eram significativamente menores nos pacientes com fibromialgia. Eles concluíram que estes achados corroboram com os outros estudos e fazem supor que estes dois antioxidantes tenham impacto sobre a patogênese da doença.

 

Ainda segundo Majid Ali:

Três grupos de oxidantes causam a Fibromialgia:

Metabólicos: São sub-produtos tóxicos do metabolismo.

Microbianos: são produzidos em grandes quantidades por micróbios que vivem no corpo saudável. Esses micróbios multiplicam-se rapidamente no intestino e no sangue por: leveduras, bactérias, vírus e parasitas.

Manufaturados: pesticidas, fungicidas, herbicidas, poluentes industriais, amálgamas dentárias, mercúrio e hormônios sintéticos.

Esses oxidantes são responsáveis pelos mecanismos moleculares da fibromialgia: oxidase (muita oxidação), desoxigenase (pouco oxigênio) e acidose (muita acidez).

 

Esses processos causam ferimentos celulares e problemas orgânicos no: intestino, sangue, fígado, tiróide, supra-renais, pâncreas, sistema límbico, neurotransmissores e hormônios sexuais.

Se essas teorias estão corretas, a prevenção do estresse oxidativo pode reduzir significativamente os sintomas da fibromialgia.

 

Embora ainda haja muito a aprender, essas novas descobertas sugerem vários alvos para a terapia de fibromialgia, incluindo o uso de antioxidantes e de nutrientes que inibem receptores e transmissores de dor nos músculos.

 

A incorporação de antioxidantes na alimantação ou como suplementos pode interromper e evitar mais danos celulares. Proteger a integridade dos músculos e das células do cérebro pode acabar com o ciclo de dor, a fadiga e a dificuldade de concentração da fibromialgia.

 

O Dr. Martin L. Pall acredita que os suplementos antioxidantes podem ajudar a resolver a fibromialgia. A lista inclui: vitamina B, vitamina C, vitamina E, selênio, ômega 3, magnésio e flavonóides. Estudos científicos mostraram que alguns deles são úteis para produzir melhorias significativas, enquanto outros são coadjuvantes. Porém, ainda são necessárias mais estudos para comprovar.

 

 

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