A DEFICIÊNCIA DE VITAMINA "D" NA FIBROMIALGIA

 

 

VITAMINA D: VOCÊ ESTÁ SOB RISCO? – por Tâmara Liller

 

Numa época em que grandes conquistas no campo da investigação médica muitas vezes andam lado a lado com o alto custo, é um alívio redescobrir velhas terapias que não são apenas simples de usar e baratas, como também possuem formidável poder para deter doenças. Esse é o caso da nossa velha e despretensiosa amiga, a vitamina D.

 

Muito tem sido estudado, recentemente, sobre o importante papel que a vitamina D desempenha no corpo humano e sobre o seu potencial como um poderoso aliado no campo da medicina preventiva.

 

Se você é jovem, pode não estar assim tão familiarizado com ela, além do fato de que o leite e alguns cereais são fortificados com ela. Entre 1930 e 1950 uma variedade de alimentos nos Estados Unidos e na Europa eram fortificados com a vitamina D, para ajudar a proteger as pessoas das regiões mais industrializadas, de doenças como a tuberculose, o raquitismo, a osteomalácia (enfraquecimento e desmineralização dos ossos) e a osteoporose. Leite, pão, creme de leite, cachorro quente, refrigerante e até cerveja foram com fortificados pelo menos até 1950, quando houve um surto limitado de intoxicação de vitamina D em crianças britânicas. Depois disso, a fortificação com vitamina D foi proibida na maioria dos países europeus, e removida de alguns alimentos nos EUA.

 

O que não era conhecido até recentemente é que a deficiência de vitamina D é ainda um problema para muitas pessoas, sobretudo em algumas populações de risco. Segundo a literatura médica, a incidência de deficiência de vitamina D na população geral dos EUA é de 25% e sobe para mais de 40% na população de idosos. A maior preocupação é que as possíveis consequências de pouca vitamina D sejam mais graves do que se tinha pensado.

 

Os investigadores descobriram uma variedade de doenças neurológicas, cardiovasculares, metabólicas, imunológicas e ósseas relacionadas à deficiência de vitamina D. Antes de olharmos com mais atenção para quem está em risco e o que pode ser feito sobre isso, vamos entender mais profundamente o que é realmente a vitamina D.


Como a vitamina D difere de outras vitaminas:

Em suas características gerais, a vitamina D difere de outras vitaminas de duas maneiras significativas.

 

Primeiro, ao contrário das vitaminas A, B e C, que só podem ser obtidas a partir de alimentos, a vitamina D pode ser produzida no corpo através de uma reação de fotossíntese que ocorre quando o corpo é exposto à luz solar. A substância que, inicialmente resulta dessa reação é apenas um precursor da forma ativa de vitamina D e deve passar por duas transformações, no fígado e no rim, para se tornar utilizável pelo corpo.

 

Em segundo lugar, a forma ativa da vitamina D, que resulta do processo que acabamos de mencionar é na realidade um hormônio, uma substância química correspondente aos hormônios esteróides, como a testosterona, o estrógeno e o cortisol.


A vitamina D está disponível em duas formas para administração oral: a vitamina D2 (ergocalciferol) e a vitamina D3 (colecalciferol). Das duas, a vitamina D3 eleva os níveis séricos em até 70% mais do que a D2. Ambas são solúveis em gordura e podem ser absorvidas no intestino delgado. De lá, eles viajam para o fígado e são modificadas, da mesma forma que as substâncias derivadas da luz solar, através de uma série de enzimas relacionadas em um processo chamado hidroxilação, que produz a vitamina D25 hidroxi (25-OH-vitamina D ou D25).

 

Os cientistas descobriram que existem células do sistema imunológico e da pele que são capazes de realizar a mesma conversão em D25, no entanto, o fígado é o principal conversor. A conversão final ocorre quando a forma biologicamente ativa da "D" é convertida em vitamina D 1,25-dihidroxi.

 

Entre as suas muitas funções, a vitamina D permite a absorção de cálcio e fósforo necessários para a mineralização óssea, crescimento, reparação e, no caso do cálcio, para a sinalização eletroquímica entre as células cerebrais. Para garantir que haja quantidade suficiente de vitamina D quando o organismo necessitar, outro hormônio produzido pela glândula paratireóide é enviado aos rins, para provocar a produção do hormônio da vitamina D. Esse hormônio "avisa” aos intestinos para transferir o cálcio dos alimentos para a corrente sanguínea. Se a ingestão de cálcio for insuficiente para apoiar as funções corporais, a vitamina D e o hormônio da paratireóide desencadeiam, juntos, um processo que libera o cálcio armazenado nos ossos.


Quando a deficiência da vitamina D ocorre:

Embora nem sempre seja notada em seus estágios iniciais, sintomas da deficiência de vitamina D incluem fraqueza e dor muscular, dor óssea e dor nas costas. Não surpreendentemente, a deficiência de vitamina D é frequentemente confundida com fibromialgia e outras doenças músculo-esqueléticas, atrasando assim o tratamento correto. A deficiência de "D" pode também ocorrer em conjunto com as condições músculo-esqueléticas, incluindo fibromialgia.

 

A deficiência ocorre quando os níveis de vitamina D estão abaixo do recomendado, quando há uma limitada exposição à luz solar, quando o rim não consegue converter vitamina D em sua forma de hormônio ativo, ou quando o organismo não consegue uma absorção suficiente no trato digestivo (como nos casos de doença celíaca, doença de Crohn, doenças do fígado, etc).

As doenças clássicas provocadas por deficiência de vitamina D são o raquitismo e osteomalácia. A osteoporose, geralmente associada a uma ingestão insuficiente de cálcio, também é indiretamente afetada pela deficiência de vitamina D, já que ela é necessária para a adequada absorção do cálcio.


A ciência médica também encontrou ligações entre os níveis insuficientes de vitamina D e vários outros problemas médicos sérios, muitos dos quais difíceis de tratar como: dor crônica, osteoartrite do joelho, câncer, doenças do coração, modulação do sistema imunológico, metabolismo do cálcio, diabetes, esclerose múltipla, artrite reumatóide, fibromialgia, infecções respiratórias, doença de Crohn, colite e psoríase.

 

As pesquisas realizadas nessa área têm aumentado. De particular interesse para o público são os resultados da investigação sobre a relação entre as diferentes formas de câncer e a vitamina D. Em 8 de março, o “Toronto Globe and Mail” apresentou o seguinte sobre a vitamina D e o câncer:

John White, que tem estudado as atividades antimicrobianas da vitamina D na Universidade McGill, em Montreal, diz que "virtualmente todas as células" do corpo humano possuem receptores para a vitamina D, e que centenas de diferentes genes possam ser regulados por ela.

A mais profunda influência da vitamina D na atividade genética parece estar em manter saudável uma gama de células conhecidas como epitélio, que revestem a superfície externa, os órgãos e as cavidades internas
do corpo. Mesmo que a quantidade desses tecidos seja de apenas 2% do peso total do nosso corpo, eles são a fonte para aproximadamente 85% dos cânceres, aqueles conhecidos como carcinomas. Estes incluem o câncer de cólon, próstata, pâncreas e útero, juntamente com o tipo mais comum de câncer de mama, o carcinoma ductal, que se desenvolve no ducto de leite. Outro tipo importante de câncer, o sarcoma, que aparece em músculos e tecidos conjuntivos, não possui uma forte associação com a insuficiência de vitamina D.


A vitamina D é um agente particularmente eficaz em inibir o crescimento anormal ou o desenvolvimento de neoplasias malignas no tecido epitelial, diz Cedric Garland, professor de medicina preventiva da Universidade da Califórnia em San Diego.

Embora muitos pesquisadores vejam o câncer como uma doença irremediavelmente complexa e com causas diferentes para cada tipo de tumor, Dr. Garland, que tem estudado a vitamina D durante mais de três décadas, acredita que os carcinomas têm uma origem comum em baixos níveis da vitamina. Ele calcula que até 75% desses cânceres poderiam ser evitados se os níveis de vitamina D fossem aumentados através de suplementos. "Estou convencido de que o câncer é basicamente uma doença de deficiência de vitamina D", disse ele.

Se, a relação do câncer, doenças cardíacas, diabetes, esclerose múltipla, infecções respiratórias, ou qualquer das outras condições médicas com a vitamina D está sendo estudada, uma importante questão científica precisa ser respondida: se a deficiência de vitamina D aumenta o risco de certas doenças, o aumento de sua ingestão protege contra elas? Também é importante considerar o papel que os fatores genéticos, alimentares e ambientais representam em uma determinada doença.

 

Entretanto, a maioria dos especialistas concorda que é preciso fazer um esforço muito maior para garantir que as pessoas tenham um nível adequado de "D", através da dieta, suplementos ou exposição suficiente à luz solar. Até recentemente, 200 IU/dia de vitamina D para as crianças e de 200 a 600 IU/dia para adultos (dependendo da idade e necessidades especiais) eram consideradas adequadas. Agora, muitos especialistas acham que estes níveis são muito baixos e que a dose adequada é de 1.000 UI/dia ou possivelmente muito mais, principalmente quando o sol é limitado.

 

Boas fontes alimentares de vitamina D incluem peixes gordurosos como salmão, cavala, sardinha e atum, óleo de fígado de bacalhau, e em grau muito menor, o leite fortificado com “D”, suco de laranja e cereais.

Já que a exposição ao sol é a fonte mais efetiva de vitamina D para muitas pessoas, e não se tem registro de produção de níveis tóxicos de "D" no organismo, o seguinte esquema de exposição ao sol é recomendado por especialistas: de 10 a 15 minutos de sol na face, mãos, braços ou costas, das 11 às 14 horas, 2 a 3 vezes por semana, sempre com o uso de filtro solar de, no mínimo, FPS 15 para proteger a pele.

Quem pode ter deficiência de vitamina D?

Nem todo mundo é capaz de alcançar facilmente os níveis desejados de vitamina D. Os idosos que passam pouco tempo ao sol têm a capacidade de produzir vitamina D reduzida. Os trabalhadores de escritório, os que saem pouco de casa e os doentes crônicos podem também não conseguir uma exposição adequada à luz solar. Nuvens, sombrinhas ou roupas que cubram todo o corpo também são obstáculos significativos para receber a radiação UVB do sol. Além disso, doenças hepáticas podem interferir na absorção de "D", o excesso de cafeína pode inibir os receptores de "D" e medicamentos esteróides podem, eventualmente, bloquear o metabolismo da "D".


Indiscutivelmente, as pessoas com maior risco de deficiência de vitamina D por exposição solar são as que vivem em latitudes norte (especialmente durante o inverno) e aquelas com a pele mais escura (que contém o pigmento melanina que reduz a capacidade da pele em produzir a "D" a partir da luz solar).

 

Um recente artigo na Scientific American observa que: "A pele branca sintetiza a vitamina D seis vezes mais rápido do que a pele escura, porque os altos níveis de melanina da pele mais escura bloqueiam a penetração de raios UV. Como resultado, os Afro-americanos em geral, têm níveis de D25 aproximadamente 50% menores que os brancos. De fato, os dados recolhidos pelo U.S. National Health and Nutrition Examination Survey mostrou que 42% das mulheres Afro-americanas testadas se mostraram seriamente deficientes de D25, com concentrações séricas abaixo de 15 ng/ml.

 

Quanto às pessoas com fibromialgia, a discussão ainda é insuficiente. Embora a deficiência de vitamina D não seja incomum nesses indivíduos, não está claro se a taxa de deficiência é maior do que a de pessoas sem a doença ou com doenças músculo-esqueléticas. No entanto, ter fibromialgia e deficiência de vitamina D em conjunto, é indesejável e  então, buscar maior exposição ao sol, repor vitamina D e testar os níveis séricos da Vitamina D25 hidroxi, deve ser seriamente considerado.

 

 

Tradução: Teresa Araujo

 

Texto original: http://www.fmpartnership.org/Files/Website2005/Learn About Fibromyalgia/Articles/Vitamin_D.htm

 

 

NOTA: A vitamina D é a mais tóxica de todas as vitaminas e em excesso pode causar náuseas, vômitos, dores de cabeça, falta de apetite, obstipação, fraqueza, perda de peso e depressão. A reposição de vitamina D deve ser orientada pelo seu médico.

 

                             VOLTAR                                                                TOPO